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Revista Portuguesa de Estomatologia, Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial

Revista Portuguesa de Estomatologia Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial | 2021 | 62 (2) | 127-132




Caso ClÍnico

Reconstrução total do pavilhão auricular com prótese bucomaxilofacial: Caso clínico

Total reconstruction of the auricle with a maxillofacial implant: a case report


a Curso de Odondologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Salvador, Bahia, Brasil
b Curso de Odontologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, Bahia, Brasil
João V. Calazans Neto - jvcalazansn@gmail.com

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Volume - 62
Issue - 2
Caso ClÍnico
Pages - 127-132
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Received on 21/09/2020
Accepted on 02/03/2021
Available Online on 31/03/2021


10.24873/j.rpemd.2021.03.830

Caso Clnico

Reconstruo total do pavilho auricular com prtese bucomaxilofacial: Caso clnico

Total reconstruction of the auricle with a maxillofacial implant: a case report

Joo V. Calazans Neto1,*

Tase C. de Oliveira Sousa1

Guilherme A. Meyera,2

Viviane Maia B. de Oliveiraa,2

1 Curso de Odondologia, Escola Bahiana de Medicina e Sade Pblica, Salvador, Bahia, Brasil

2 Curso de Odontologia, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, Bahia, Brasil

*Correspondncia:

Historial do artigo:

Recebido a 21 de setembro de 2020

Aceite a 2 de maro de 2021

On-line a 31 de maro de 2021

Resumo

Este trabalho objetiva, atravs de um caso clnico, demonstrar a importncia da reconstruo prottica em pacientes mutilados de face, com perda do pavilho auricular. Trata-se de um paciente de 47 anos, masculino, que procurou o Servio de Prtese Bucomaxilofacial da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia, queixando-se de falta do pavilho auricular esquerdo devido a trauma por acidente automobilstico, que resultou na perda total da orelha. Ao exame fsico foi detectado bom estado de sade geral. Aps exame clnico/anamnsico, foi planeada a confeo de uma prtese auricular em resina acrlica retida por adesivo. Pde-se concluir que reabilitar uma rea perdida na face desafiador, principalmente quando se tem de devolver tanto a parte anatmica quanto a parte psicolgica. Contudo, apesar das divergncias de tcnicas e materiais contidas na literatura, um planeamento bem executado oferece resultados satisfatrios e devolve a harmonia facial do indivduo.

Palavras-chave: Implante de prtese, Pavilho auricular, Reabilitao, Traumatismos faciais.

Abstract

This case report aims to demonstrate the importance of a full prosthetic facial reconstruction in facially mutilated patients without an auricle. A 47-year-old male patient visited the Maxillofacial Prosthesis Service of the Dental School of the Federal University of Bahia complaining of lack of his left ear due to an automobile accident trauma, which resulted in total ear loss. Physical examination revealed good general health. After clinical and anamnestic examination, an auricular prosthesis in acrylic resin was planned. This case report shows that rehabilitating a lost area is challenging, especially when both anatomical and psychological recovery are required. Despite the technical and material divergences in the literature, well-executed planning offers satisfactory results and restores the individuals facial harmony.

Keywords: Prostheses and implants, Ear auricle, Rehabilitation, Facial injuries

Introduo

Os defeitos faciais podem ser decorrentes de traumas, desenvolvimento de malformaes congnitas e intervenes cirrgicas para a remoo de tumor. Esses defeitos atribuem problemas no apenas funcionais, estticos, mas tambm na qualidade de vida do indivduo, afastando‑o da sua vida social, trazendo assim, grande desafio para uma equipe multidisciplinar.1

A recuperao desses defeitos obtida por meio de reconstrues autgenas ou prteses bucomaxilofaciais (PBMF) com retenes anatmicas, cirrgicas, qumicas e mecnicas.2 Para a escolha da tcnica de reconstruo, fatores como tamanho do defeito, qualidade do tecido, estruturas sseas, histrico de radioterapia e fator econmico, devem ser analisados na escolha da tcnica de reconstruo.3

A origem da reconstruo prottica de defeitos faciais se faz presente desde as antigas mmias egpcias, quando construam olhos, nariz e orelhas artificiais com materiais de sua cultura, como barro, argila, ouro, restaurando assim a identidade do indivduo.4

Desta forma, a PBMF pode ser definida como a arte e a cincia dedicada reabilitao anatmica e funcional das estruturas estticas intra e/ou extraoral, desde perdas extensas da maxila e mandbula s fendas labiopalatinas, bem como a prtese nasal, ocular, auricular e oculopalpebral.5

Os materiais mais utilizados na confeo da pea prottica so os silicones e a resina acrlica termicamente ativada, sendo que esta apresenta menor custo, fcil manipulao, facilmente reparvel alm de biocompatibilidade comprovada.

Entretanto, pode causar descolorao quando do uso prolongado de determinados agentes de limpeza como o hipoclorito de sdio e deslocamento da pea prottica em virtude do seu peso ser superior ao das prteses confecionadas em silicone, influenciando no tipo de reteno planeada. Os silicones, apesar de serem menos resistentes do que as resinas acrlicas, devido sua baixa resistncia ao rasgamento, favorecem resultados esteticamente melhores, uma vez que permitem a caracterizao de cor por meio de pigmentao tanto intrnseca quanto extrnseca, enquanto que as resinas acrlicas possibilitam apenas uma pigmentao intrnseca. Alm disso, os silicones permitem uma margem mais delgada, proporcionando uma transio mais sutil entre prtese e pele o que, aliado mobilidade, permite um aspeto mais integrado em comparao com a resina acrlica. No entanto, possuem um valor mais alto que estas, o que dificulta a sua utilizao por determinados profissionais ou alguns servios pblicos.6

O avano tecnolgico na rea de materiais possibilitou a similaridade da prtese em termos de forma, textura e morfologia de uma orelha sadia, mas ainda carece de um tom que seja capaz de transluzir naturalidade sob luminosidade e que seja harmonioso com o tecido subjacente.5

Reconstruir o pavilho auricular um desafio para os profissionais, pois requer habilidades tcnicas e cientficas apuradas.

Fatores como a esttica, qualidade tecidual disponvel e expectativa do paciente, so considerados para que se tenha simetria, posio adequada e boa aparncia das prteses.7

O suporte das prteses auriculares d‑se principalmente atravs das armaes de culos que proporcionam maior estabilidade, facilidade de higienizao e remoo desta. Podendo ser suportada sobre implante ou por meio de adesivos.8 Contudo, o uso destes, pode estar associado dermatite, descolorao, perda de aderncia e deslocamento da pea, diminuindo a confiana do paciente com esse sistema de reteno.6

Diante disso, este trabalho objetiva demonstrar, atravs de um caso clnico, a importncia da reconstruo prottica total em pacientes mutilados de face, com perda do pavilho auricular.

Caso clnico

Paciente de 47 anos, masculino, melanoderma, procurou o Servio de Prtese Bucomaxilofacial da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia com a queixa principal de falta do pavilho auricular esquerdo.

O paciente relatou histria de trauma por acidente automobilstico em maio de 2016, que resultou na perda total da orelha.

Ao exame fsico foi detetado bom estado de sade geral, nveis pressricos dentro da normalidade e perda da orelha esquerda, com coto remanescente, correspondente ao trgus.

O paciente apresentava audio dentro dos padres de normalidade (Figura 1).

Figura 1. A) Imagem frontal evidenciando a perda do pavilho auricular esquerdo e B) Imagem lateral podendo observar a presena do trgus remanescente.

Aps exame clnico/anamnsico, exame fsico, anlise da queixa principal do paciente e depois de obtido a assinatura no modelo de consentimento, tanto do paciente quanto do doador, foi planejada a confeo de uma prtese auricular em resina acrlica.

Foi realizada moldagem com alginato (Jeltrate‑Dentsply, Petrpolis‑RJ, Brasil) do defeito do paciente e da orelha sadia de um doador com caractersticas compatveis em tamanho e forma com a orelha existente do paciente. Para facilitar a moldagem, foi utilizado um recipiente plstico adaptado para os procedimentos. Para promover reteno mecnica do alginato, foram realizadas perfuraes no pote com broca troncocnica (American Burrs, Palhoa‑SC, Brasil). (Figura 2).

Figura 2. A) Retenes feitas no pote de iogurte, B) Tampo com algodo na entrada do canal auditivo, C) Moldagem do defeito e D) Orelha do doador que foi moldada como referncia

As regies pilosas foram devidamente isoladas com vaselina slida para permitir o seu isolamento e dificultar a reteno do alginato. Os meatos acsticos externos foram fechados com pequenas pores de algodo para que o material de moldagem no penetrasse no mesmo, uma vez que estas estruturas no eram importantes para a obteno dos moldes.

Aps confeo dos moldes, foi obtido o modelo do defeito do paciente em gesso pedra tipo III (Herodent‑Vigodent, Rio de Janeiro‑RJ, Brasil) e a orelha do doador em cera sete vermelha (Horus‑Dentsply, Petrpolis‑RJ, Brasil), derretida e vertida diretamente sobre o molde de alginato. (Figura 3).

Figura 3. A) Molde da orelha do doador em alginato, B) Enceramento realizado sobre o molde C) Modelo do defeito em gesso pedra tipo III e D) Orelha do doador

Em seguida a orelha em cera foi recortada e adaptada para possuir as caractersticas individuais do paciente, sendo posteriormente realizada a prova da mesma na face, realizada moldagem funcional com politer (Impregum Soft‑3M Espe, Sumar‑SP, Brasil) e verificada a harmonia em diferentes planos (Figura 4). Este molde funcional foi realizado por meio da aplicao de adesivo para politer (Polyether Adhesive 3M Espe, Sumar‑SP, Brasil) na regio do enceramento que entraria em contato com a pele, aguardado que o mesmo secasse aps 3 minutos e em seguida uma pequena poro do material de moldagem foi aplicado na mesma regio do enceramento e o conjunto devidamente posicionado sobre a pele, tendo sempre o trgus como referncia, afim de refinar a adaptao do padro de cera sobre a pele.

Figura 4. Prova do padro em cera. A) Imagem frontal, B) Imagem lateral esquerda e C) Imagem posterior.

Aps a prova do enceramento e determinada a cor da pele do paciente por meio da comparao de amostras diretamente sobre a pele, o padro em cera foi encaminhado ao laboratrio de prtese para ser includo em mufla e realizado a polimerizao da pea final em acrlico rgido termopolimerizvel incolor (Clssico, So Paulo‑SP, Brasil), com a adio de pigmento intrnseco (Mary kay, Dallas,Texas, USA).

Na sesso seguinte foi realizada a prova da estrutura prottica, executados os devidos ajustes estticos e a mesma foi instalada por meio do sistema adesivo, com a utilizao de adesivo para clios postios prova de gua (Lenvy, Kiss Products, Washington, NY) (Figura 5).

Figura 5. Instalao da prtese auricular por meio de reteno adesiva. A) Imagem frontal, B) Imagem lateral esquerda e C) Imagem posterior.

O paciente foi orientado a higienizar a pea inicialmente com lcool absoluto, para a retirada dos resduos de adesivo e em seguida utilizar sabo neutro ou sabo de coco. J para a higienizao da pele, utilizar um removedor de adesivo especfico para a pele, como os removedores de maquiagem e em seguida a limpeza com sabo neutro e gua filtrada ou fervida em temperatura ambiente.

Aps um ms de uso o paciente relatou que estava satisfeito esteticamente com a pea, contudo que o adesivo estava fixando por apenas 3 a 4 horas, devido transpirao e oleosidade da pele, sendo assim o mesmo foi substitudo por um adesivo para prtese capilar (Ultra Hold 3, Walker Tape, West Jordan, Utah, USA).

Em consulta de retorno um ms aps a troca o paciente apresentou‑se completamente satisfeito, relatando uma fixao por cerca de 8 horas, utilizando a prtese diariamente.

O paciente encontra‑se em acompanhamento por cerca de 4 anos, aguardando oportunidade financeira para confeo de implantes e assim realizar a mudana de fixao da prtese, permitindo maior segurana e menor dano estrutura da pea e pele do paciente.

Discusso e concluses

Os defeitos auriculares, interferem na qualidade de vida dos indivduos, afastando‑os do seu convvio social. Assim, a exigncia pela esttica traz consigo um grande desafio para a equipe de sade, pois tem a maior parte da responsabilidade em devolver, de forma o mais semelhante possvel, a condio de normalidade, recuperando assim, a identidade do indivduo.8

Contudo, a literatura extensa e controversa quando se refere ao mtodo de reconstrues dos defeitos faciais. No entanto, imprescindvel que as limitaes de cada indivduo sejam respeitadas, para que se obtenha um resultado satisfatrio.9 Dentre os tipos de reabilitaes disponveis, esto as reconstrues autgenas, as PBMF e a combinao destas.2

A reconstruo autgena um procedimento cirrgico complexo, no que se refere exigncia de estrutura anatmica suficiente e na possibilidade de complicaes, comprometendo assim o resultado do tratamento.5 No entanto, alguns pacientes preferem no se submeter a procedimentos cirrgicos, por medo ou insegurana. Assim, a PBMF tornou‑se uma opo vivel, por ser menos invasiva, apresentar menor custo e demandar menos tempo para sua confeo.8

O paciente do caso relatado requeria um planeamento que englobasse uma reabilitao no menor tempo possvel e que atendesse s suas necessidades financeiras. Alm disso, este perdeu grande parte anatmica do pavilho auricular, o que inviabilizaria a realizao da cirurgia de reconstruo autgena sem enxerto. Desta forma, optou‑se pela reconstruo do pavilho auricular por meio de uma PBMF.

Um dos passos para a confeo da PBMF a obteno do padro de cera, que pode ser realizado atravs do mtodo direto, tendo como referncia a orelha oposta do paciente, ou de forma indireta, necessitando de um doador, como foi realizado no caso. O que determina a tcnica a ser escolhida a habilidade do profissional e a economia de tempo para a concluso do caso.10, 11 Apesar de na literatura existirem vrias tcnicas para realizar o padro de cera, a direta apresenta maior fidelidade das caractersticas da orelha do paciente.12, 13

Contrapondo a este fato, no presente caso, a tcnica indireta foi a melhor opo disponvel, uma vez que a escultura pelo mtodo direto demandaria mais tempo para ser realizada, maior nmero de sesses clnicas, mantendo o paciente afastado das suas funes de trabalho por um perodo maior, bem como maior tempo de trabalho laboratorial.

Uma alternativa para a realizao da reabilitao proposta no caso seria a digitalizao facial, este permitiria uma maior rapidez na obteno do modelo virtual, bem como na escultura uma vez que possvel realizar o espelhamento da orelha existente e posterior impresso da estrutura. Contudo, esta tecnologia torna‑se invivel em virtude da dificuldade econmica da instituio em adquirir equipamentos como scanner e impressora 3D, bem como de profissionais habilitados para a execuo destas tcnicas.

Quanto ao material de escolha para a confeo da prtese auricular a resina acrlica, a mais utilizada, uma vez que economicamente mais acessvel. No entanto, o avano industrial proporcionou o apareceimento de materiais a base de silicone, os quais demonstraram superioridade ao acrlico, no quesito esttico, melhorando assim textura, adaptao e esttica final da prtese.6, 8

Contudo, tanto a resina acrlica quanto o silicone so materiais que no alcanam parmetros de uma prtese totalmente satisfatria, alm de apresentarem manchas e degradao com o tempo, podem levar a uma perda de aderncia e problemas com a esttica quanto a variao no tom de pele do paciente. Porm, o silicone ainda apresenta melhores resultados, em relao resina acrlica, que conferem uma maior aproximao do tecido natural.2, 5

No entanto, em funo da restrio de recursos materiais do Servio de Prtese Bucomaxilofacial da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia, para a realizao do caso clnico relatado, o silicone foi preterido em funo da resina acrlica, uma vez que esta se apresenta como opo mais acessvel, atendendo s restries econmicas do Servio. Apesar do silicone possuir caractersticas mais prximas do tecido natural, a prtese confecionada com resina acrlica mostrou‑se esteticamente satisfatria, atendendo s expectativas do paciente, com excelente integrao aos tecidos moles em virtude da sua integridade, regularizao e pouca mobilidade, fatores favorveis indicao de prteses em resina acrlica.

Quanto s formas de reteno para as peas protticas disponveis na literatura, os implantes auriculares so a primeira opo, pois oferecem maior confiabilidade e segurana quando comparados a outros tipos de reteno.3, 5

Porm, as prteses sobre implantes, possuem algumas restries, como custo mais elevado, necessidade de espessura ssea adequada e maior tempo para obter o resultado final do tratamento.1, 9, 11

Assim, apesar das vantagens deste mtodo, uma prtese auricular retida por adesivos, desde que manuseada adequadamente, proporciona tambm bons resultados e de uma forma no invasiva.8, 10

A reteno da prtese auricular por meio de armaes de culos uma opo que, alm de ser mais fcil fixao, favorece a higienizao, uma vez que no apresenta o contato com substncias qumicas de forma frequente.8 Apesar desta opo ter sido apresentada ao paciente, o mesmo ponderou o gasto na confeo de uma armao, uma vez que o mesmo no apresentava problemas visuais prvios, a falta de um apoio no trip de suporte do culos devido falta do pavilho auricular causando uma insegurana, alm do fato de no poder utilizar a prtese sem o culos, gerando um constrangimento caso necessitasse retirar o culos em pblico e consequentemente ter que retirar a prtese, conforme questionamento em relao a banho de mar ou piscina.

Sendo assim, aps anlise de cada tcnica, optou‑se para o caso relatado a reteno qumica por meio de adesivo, levando em conta fatores anatmicos, uma vez que o lado afetado apresentava uma rea regular, ampla sem distores e com pouca mobilidade tecidual, favorvel aplicao do adesivo, fatores econmicos e psicossociais. A presena do trgus serviu de orientao ao paciente para o correto posicionamento da prtese, sem a necessidade de uma reteno adicional do meato acstico externo, tanto para melhorar a reteno quanto para orientao na insero da estrutura. Alm disso, esta forma de reteno conservadora e reversvel, o que no causa um descarte definitivo da reabilitao por meio de implantes no futuro, quando as condies econmicas da Instituio ou do prprio paciente permitam este reabilitao.

Contudo, a higiene deve ser prevalente tanto na reabilitao prottica como nos implantes, por ser um dos fatores mais importantes na preservao da pele e consequentemente na reteno e longevidade da prtese. Portanto, a orientao e o controle dessa higienizao se fazem necessrios para que um bom resultado seja alcanado.3

Ainda que a prtese retida por adesivo v de encontro ao recomendado pela literatura em relao higienizao, esta se mostrou a opo mais vivel para o paciente aqui descrito, visto que sua reinsero no ambiente de trabalho dependia da utilizao da prtese no menor tempo possvel.

O paciente foi orientado quanto higienizao com sabo neutro e gua e o correto armazenamento desta em gua potvel quando removida do defeito, visando preservao do tecido de sustentao e a longevidade da pea.

Pode‑se concluir que a reabilitao auricular um grande desafio, principalmente quando se tem a responsabilidade de devolver ao paciente tanto a parte anatmica quanto uma melhoria psicolgica. Apesar das divergncias de tcnicas e materiais contidos na literatura, indispensvel um planeamento multidisciplinar, devolvendo a harmonia facial do indivduo, a sua autoestima e consequente qualidade de vida.

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*Autor correspondente:

Joo V. Calazans Neto

Correio eletrnico: jvcalazansn@gmail.com

Responsabilidades ticas

Proteo de pessoas e animais. Os autores declaram que os procedimentos seguidos estavam de acordo com os regulamentos da comisso de investigao clnica e tica relevante e de acordo com os do Cdigo de tica da Associao Mdica Mundial (Declarao de Helsnquia).

Confidencialidade dos dados. Os autores declaram ter seguido os protocolos do seu centro de trabalho acerca do acesso aos dados de pacientes e sua publicao.

Direito privacidade e consentimento escrito. Os autores declaram ter recebido consentimento escrito dos pacientes e/ou sujeitos mencionados no artigo. O autor para correspondncia est na posse deste documento.

Conflito de interesses

Os autores declaram no haver conflito de interesses.

1646-2890/ 2021 Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentria. Published by SPEMD.

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