Revista Portuguesa de Estomatologia, Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial
XLV Congresso Anual da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD) Figueira da Foz, 9 a 11 de outubro de 2025 | 2025 | 66 (S1) | Page(s) 89
Investigação Original
#098 Efeito da distância entre pilares na precisão de diferentes scanners em reabilitação oral
a Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal
Article Info
Rev Port Estomatol Med Dent Cir Maxilofac
Volume - 66
Supplement - S1
Investigação Original
Pages - 89
Go to Volume
Article History
Received on 09/10/2025
Accepted on 09/10/2025
Available Online on 09/10/2025
Keywords
Resumo
Objetivos: Avaliar o efeito da extensão de digitalização (arcada total vs. hemi-arcada) em reabilitações fixas parciais de 3 e 4 elementos nas discrepâncias verticais e horizontais, utilizando diferentes scanners intraorais. Materiais e métodos: Foi utilizado um modelo maxilar simulando a preparação para duas próteses fixas posteriores: uma de três elementos (dentes 14 a 16) e outra de quatro elementos (dentes 24 a 27). Foram testados dois scanners intraorais - Trios3 (3Shape, Copenhagen, Denmark) e Panda P2Plus (UpCera, Shanghai, China) - com 12 digitalizações realizadas por condição (arcada total, hemi-arcada direita e esquerda). As discrepâncias verticais e horizontais foram avaliadas em cada dente pilar, atendo como referência a digitalização efetuada com um scanner industrial (ATOS Q 12M, sensor MV170, ZEISS, Braunschweig, Germany). Avaliaram-se ainda as distâncias lineares intraarcada. Os dados foram apresentados como média e intervalo de confiança a 95% (IC95%) em micrómetros (μm) ou milímetros (mm), conforme apropriado, sendo analisados estatisticamente. Resultados: Foram realizadas 72 digitalizações. O Trios3 apresentou discrepâncias médias significativamente menores (26,83μm; [25,09;28,58]) em comparação com o P2Plus (38,68μm; [35,89;41,47]; p<0,05). As digitalizações de hemi-arcada mostraram maior precisão do que as de arcada total, com diferenças particularmente evidentes no dente 27 (Trios3: 11,12μm [9,57;12,66] hemi-arcada vs. 45,85 μm [36,68;55,02] arcada total; P2Plus: 34,55μm [29,06;40,03] hemi-arcada vs. 86,68μm [64,96;108,39] arcada total; p<0,001). A percentagem de discrepâncias superiores ao limiar clínico aceitável de 120μm foi maior com o P2Plus (7,6%) do que com o Trios3 (1,3%). O Trios3 aproximou-se mais do valor de referência nas medições lineares intra-arcada, com desvios máximos de 50μm, enquanto o P2Plus apresentou desvios até 200μm. Conclusões: A extensão da digitalização (arcada total vs hemi-arcada) e o comprimento da reabilitação (três vs quatro elementos) influenciaram significativamente a precisão das impressões digitais. Neste estudo as digitalizações de hemi-arcada revelaram-se mais precisas do que as de arcada total, independentemente do scanner utilizado. Scanners diferentes apresentam desempenhos distintos, sendo recomendável, sempre que possível, restringir a digitalização à hemi-arcada de forma a otimizar a precisão em próteses parciais fixas.